quinta-feira, 10 de junho de 2021
Pequeno tributo ao mestre
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Entrevista para o @bonderbooks
domingo, 8 de novembro de 2020
sábado, 11 de julho de 2020
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Entrevista para a TV Paraguaçu
Confira minha entrevista para a TV Paraguaçu a respeito do livro "Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca".
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quarta-feira, 10 de junho de 2020
"Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca"
"Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca" é o meu mais novo livro no qual retrato um pouco da minha vivência durante a quarentena, sob um olhar diferente. A obra inicia-se com uma paródia da "Carta de Pero Vaz de Caminha" e, em seguida, mostra como os tupinambás também tiveram que fazer quarentena na época da “descoberta dos portugueses”, como eles gostam de falar. Baixe aqui.
sábado, 14 de setembro de 2019
Prefácio do livro "A próxima Colombina"
Prefácio à segunda edição
Ramon é um repórter muito competente que conhece as
exigências de sua profissão. Ele sabe que precisa gastar a sola do sapato e
frequentar as ruas, as delegacias e os hospitais, dentre outros lugares, para
conhecer os moradores e suas histórias. É assim que, desde os dezesseis anos, como
um verdadeiro detetive, ele colhe o material necessário para fazer a cobertura
dos principais fatos do interior paulista. Mas, se alguém acha que aqui no
interior reina a tranquilidade, e a violência está presente apenas nas capitais
ou em um estado específico, engana-se. Há mais coisas entre o céu e as ruas do
interior do que podemos sonhar. A selvageria recrudesceu e tem mostrado suas
diversas facetas por aqui há muito tempo.
Uma das coberturas marcantes para o autor foi, sem
dúvida, a da rebelião na Fundação Casa de Marília em 2016. Um agente foi
assassinado no dia em que completava cinquenta e um anos, e dezoito internos
fugiram. Difícil não se comover com tal notícia triste e inominável. Contudo,
Ramon provou seu profissionalismo, escrevendo a matéria para a Folha de São Paulo.
Outra cobertura anterior talvez até mais marcante e
assustadora para o autor, pois o inspirou na concepção desta obra, ocorreu
quando ele havia acabado de se mudar para Marília. De janeiro a outubro de
1999, cinquenta veículos foram incendiados em sua nova cidade. Sete em apenas
uma noite. O autor dos crimes, um vigia noturno, foi preso quando — num momento
de solidão ou de busca pela fama — fez uma ligação para a polícia, anunciando o
próximo ataque. Depois de sua prisão, fichários com nomes dos clientes do vigia
e dois frascos com álcool foram encontrados, e o incendiário, como ficou
conhecido, confessou o ataque a trinta e nove veículos. Ele foi condenado a
quatro anos de prisão em regime fechado e a catorze meses de detenção em regime
semiaberto.
Sem dúvida, com tanta experiência, podemos afirmar que
Ramon conhece como ninguém as vicissitudes das cidades interioranas. E foi
diante dessa realidade que A Próxima
Colombina nasceu. O autor objetivou retratar o tradicional carnaval,
outrora muito famoso aqui no interior, e pôr em foco a violência urbana, sobretudo
contra as mulheres. Trata-se de um tema atualíssimo que colabora enormemente
com a verossimilhança desta trama, ou seja, é uma ficção que poderia muito bem
ter acontecido.
Em uma entrevista que fiz com o Ramon, perguntei o que
o leitor pode encontrar no seu livro. E ele me respondeu:
“Acredito que um enredo empolgante, uma trama que dá
aquele friozinho na barriga a cada página. Digo isso porque foi exatamente
assim que escrevi este livro, transmitindo suspense a cada parágrafo. Como lhe
contei, quando escrevi este livro ainda não tinha filhos e me sobrava tempo nos
finais de semana e nas madrugadas. Por diversas vezes, minha esposa me
assustava, não porque ela queria, é que eu estava tão envolvido em criar uma atmosfera
de medo, de perseguição e até de violência que não me dava conta de que a Ieda
[sua esposa] estava em pé ao meu lado me chamando para ir dormir.”
Este romance policial começa com um homem fantasiado
de pierrô seduzindo uma foliona durante o carnaval. O que parecia ser apenas
mais um caso amoroso se transforma em uma perseguição mortal. Em seguida, mais
três mulheres também sofrem nas mãos do assassino mascarado. Fica evidente o
descaso da polícia, que, por falta de recursos e boa vontade, só vai reagir
muito tempo depois. É nesse momento que entra em cena o delegado Lúcio, um
herói extremamente humano, cheio de medos e sofrimentos psicológicos por causa
do trabalho. Ele tinha a pena de cobrir todos os casos policiais por ter
enfrentado um delegado corrupto.
As personagens são bem arquitetadas, e, assim como no
mundo real, ninguém é totalmente mau nem totalmente bom. A escolha de seus
nomes também não é aleatória. Ramon, de fato, teve cuidado com cada pormenor.
Por exemplo, Lúcio lembra o substantivo lucidez e o verbo elucidar, afinal é
ele quem vai elucidar o caso.
O enredo também homenageia a literatura portuguesa e
universal com inúmeros intertextos, instando o leitor a querer conhecer outros
livros e a saciar sua vontade por mais aventuras.
Eu pude trabalhar esta obra por dois anos consecutivos
com o 8º Ano do Colégio Alpha de Quatá. E o resultado não poderia ser melhor.
Meu maior objetivo como professor de língua portuguesa do ensino fundamental é
despertar o prazer pela leitura nos meus alunos. E este livro provou ser uma
ótima ferramenta. A aceitação foi muito boa. Cansei de ouvir os alunos dizendo
que leram muito rápido — em um dia até! — porque ficaram entretidos com o
enredo e precisavam saber o que ia acontecer em seguida. Prova de que eles
foram enfeitiçados pelo maravilhoso mundo da literatura.
Agora, muito merecidamente, A Próxima Colombina ganha a segunda edição. E torcemos para que
esta obra continue seguindo sua missão de entreter e encantar os leitores,
fazendo-os refletir sobre nossa realidade.
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