sexta-feira, 19 de junho de 2020

Entrevista para a TV Paraguaçu

Confira minha entrevista para a TV Paraguaçu a respeito do livro "Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca".


quarta-feira, 10 de junho de 2020

"Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca"

"Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca" é o meu mais novo livro no qual retrato um pouco da minha vivência durante a quarentena, sob um olhar diferente. A obra inicia-se com uma paródia da "Carta de Pero Vaz de Caminha" e, em seguida, mostra como os tupinambás também tiveram que fazer quarentena na época da “descoberta dos portugueses”, como eles gostam de falar. Baixe aqui.

sábado, 14 de setembro de 2019

Prefácio do livro "A próxima Colombina"


Prefácio à segunda edição


Ramon é um repórter muito competente que conhece as exigências de sua profissão. Ele sabe que precisa gastar a sola do sapato e frequentar as ruas, as delegacias e os hospitais, dentre outros lugares, para conhecer os moradores e suas histórias. É assim que, desde os dezesseis anos, como um verdadeiro detetive, ele colhe o material necessário para fazer a cobertura dos principais fatos do interior paulista. Mas, se alguém acha que aqui no interior reina a tranquilidade, e a violência está presente apenas nas capitais ou em um estado específico, engana-se. Há mais coisas entre o céu e as ruas do interior do que podemos sonhar. A selvageria recrudesceu e tem mostrado suas diversas facetas por aqui há muito tempo.
Uma das coberturas marcantes para o autor foi, sem dúvida, a da rebelião na Fundação Casa de Marília em 2016. Um agente foi assassinado no dia em que completava cinquenta e um anos, e dezoito internos fugiram. Difícil não se comover com tal notícia triste e inominável. Contudo, Ramon provou seu profissionalismo, escrevendo a matéria para a Folha de São Paulo.
Outra cobertura anterior talvez até mais marcante e assustadora para o autor, pois o inspirou na concepção desta obra, ocorreu quando ele havia acabado de se mudar para Marília. De janeiro a outubro de 1999, cinquenta veículos foram incendiados em sua nova cidade. Sete em apenas uma noite. O autor dos crimes, um vigia noturno, foi preso quando — num momento de solidão ou de busca pela fama — fez uma ligação para a polícia, anunciando o próximo ataque. Depois de sua prisão, fichários com nomes dos clientes do vigia e dois frascos com álcool foram encontrados, e o incendiário, como ficou conhecido, confessou o ataque a trinta e nove veículos. Ele foi condenado a quatro anos de prisão em regime fechado e a catorze meses de detenção em regime semiaberto.


Sem dúvida, com tanta experiência, podemos afirmar que Ramon conhece como ninguém as vicissitudes das cidades interioranas. E foi diante dessa realidade que A Próxima Colombina nasceu. O autor objetivou retratar o tradicional carnaval, outrora muito famoso aqui no interior, e pôr em foco a violência urbana, sobretudo contra as mulheres. Trata-se de um tema atualíssimo que colabora enormemente com a verossimilhança desta trama, ou seja, é uma ficção que poderia muito bem ter acontecido.
Em uma entrevista que fiz com o Ramon, perguntei o que o leitor pode encontrar no seu livro. E ele me respondeu:
“Acredito que um enredo empolgante, uma trama que dá aquele friozinho na barriga a cada página. Digo isso porque foi exatamente assim que escrevi este livro, transmitindo suspense a cada parágrafo. Como lhe contei, quando escrevi este livro ainda não tinha filhos e me sobrava tempo nos finais de semana e nas madrugadas. Por diversas vezes, minha esposa me assustava, não porque ela queria, é que eu estava tão envolvido em criar uma atmosfera de medo, de perseguição e até de violência que não me dava conta de que a Ieda [sua esposa] estava em pé ao meu lado me chamando para ir dormir.”
Este romance policial começa com um homem fantasiado de pierrô seduzindo uma foliona durante o carnaval. O que parecia ser apenas mais um caso amoroso se transforma em uma perseguição mortal. Em seguida, mais três mulheres também sofrem nas mãos do assassino mascarado. Fica evidente o descaso da polícia, que, por falta de recursos e boa vontade, só vai reagir muito tempo depois. É nesse momento que entra em cena o delegado Lúcio, um herói extremamente humano, cheio de medos e sofrimentos psicológicos por causa do trabalho. Ele tinha a pena de cobrir todos os casos policiais por ter enfrentado um delegado corrupto.
As personagens são bem arquitetadas, e, assim como no mundo real, ninguém é totalmente mau nem totalmente bom. A escolha de seus nomes também não é aleatória. Ramon, de fato, teve cuidado com cada pormenor. Por exemplo, Lúcio lembra o substantivo lucidez e o verbo elucidar, afinal é ele quem vai elucidar o caso.
O enredo também homenageia a literatura portuguesa e universal com inúmeros intertextos, instando o leitor a querer conhecer outros livros e a saciar sua vontade por mais aventuras.
Eu pude trabalhar esta obra por dois anos consecutivos com o 8º Ano do Colégio Alpha de Quatá. E o resultado não poderia ser melhor. Meu maior objetivo como professor de língua portuguesa do ensino fundamental é despertar o prazer pela leitura nos meus alunos. E este livro provou ser uma ótima ferramenta. A aceitação foi muito boa. Cansei de ouvir os alunos dizendo que leram muito rápido — em um dia até! — porque ficaram entretidos com o enredo e precisavam saber o que ia acontecer em seguida. Prova de que eles foram enfeitiçados pelo maravilhoso mundo da literatura.
Agora, muito merecidamente, A Próxima Colombina ganha a segunda edição. E torcemos para que esta obra continue seguindo sua missão de entreter e encantar os leitores, fazendo-os refletir sobre nossa realidade.