O ano de 2018 foi muito produtivo, não só porque meu segundo filhão, Theo, nasceu, mas também porque tive o prazer de pegar bons projetos. E tive tempo até para fazer um curso muito enriquecedor na área editorial com a grande Silvana Salerno. Sem dúvida nenhuma, recomendo o curso.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Correlação verbal
Ao elaborar
um texto (escrito ou oral), existem algumas combinações verbais que devem ser
respeitadas. É o caso das orações
subordinadas adverbais condicionais somadas à oração principal. Exemplo:
Se
chover, não sairei.
Nesse
caso, a frase indica uma condição futura. Não é certo que eu sairei, depende se
choverá ou não. Agora, eu posso reescrever essa frase da seguinte maneira:
Se
chovesse, eu não sairia.
A
ideia de condição futura ainda existe, mas a probabilidade de que chova e eu
não saia é mais baixa. Observemos que essa alteração de sentido se deu por
causa da mudança verbal.
No
primeiro caso, temos a seguinte estrutura:
Oração
condicional
|
Oração
principal
|
Se chover,
|
não sairei.
|
Futuro do subjuntivo
|
Futuro do presente
|
No segundo
caso, temos:
Oração
condicional
|
Oração
principal
|
Se chovesse,
|
eu não sairia.
|
Imperfeito do subjuntivo
|
Futuro do pretérito
|
Contudo, não é possível fazer uma combinação mista entre esses dois tipos de orações
condicionais. Por exemplo:
Se
chover, eu não sairia.
O
motivo é porque existe internamente na frase uma incoerência quanto à possibilidade
de chover e eu sair. Portanto, corrigindo a frase da notícia:
Se isso ocorrer, os pagamentos poderão ser iniciados antes do Natal.
A
notícia citada acima contém mais um erro, você sabe qual é? Veja aqui.
A expectativa é de que
As
duas imagens abaixo foram tiradas da mesma página do jornal de hoje,
comprovando que a estrutura “a expectativa é de que” é muito comum. Contudo, por
mais comum que seja, não é correta por causa da preposição “de”.
A
explicação é simples. A estrutura não exige a preposição “de” porque se trata
de uma oração subordinada substantiva predicativa somada à oração principal. Ou
seja, a oração iniciada pela conjunção integrante “que” tem valor de
predicativo do sujeito, e o predicativo não vem acompanhado de preposição. De maneira mais
simples, podemos esquematizar a estrutura assim:
sujeito
+ verbo de ligação + predicativo do sujeito
Assim,
temos, por exemplo:
sujeito
|
verbo
de ligação
|
predicativo
do sujeito
|
A expectativa
|
é
|
boa.
|
Observemos
que o predicativo “boa” não vem acompanhado de preposição. Logo, o correto é:
sujeito
|
verbo
de ligação
|
predicativo
do sujeito
|
A expectativa
|
é
|
que o acordo seja fechado até o fim
deste mês.
|
Por
fim, vale lembrar que existe outra estrutura que exige a preposição. Deve ser provavelmente por causa dela que fazemos a confusão. É o caso da oração subordinada
substantiva completiva nominal que, como o próprio nome diz, tem a função de
complemento nominal e é sempre ligada a um nome pela preposição. Exemplo:
Tenho
a expectativa de que o acordo seja
fechado.
Observemos
que a estrutura da frase é diferente:
sujeito
+ verbo + nome + complemento nominal
A
notícia citada acima contém mais um erro, você sabe qual é? Veja aqui.
domingo, 3 de setembro de 2017
Frei ou frade?
O
erro encontrado no título da notícia é quanto ao emprego de “frei”. Mas “frei”
e “frade” não são sinônimos? São. Na verdade, “frei” é a forma reduzida de “frade/freire”
e deve ser usada acompanhada do nome do frade, como podemos ver no dicionário Aulete.
Portanto,
se não houver o nome do religioso à frente, devemos usar “frade”.
Corrigindo:
“Frades brasileiros oferecem pão no
lugar da ‘argila’”.
quinta-feira, 8 de junho de 2017
Erro de paralelismo
Paralelismo
é uma convenção estabelecida na linguagem escrita que “consiste em apresentar
ideias similares numa forma gramatical idêntica” (MORENO e GUEDES, Curso básico de redação, 1988). Em
outras palavras, ocorre paralelismo quando coordenamos termos ou orações
idênticas, isto é, que têm a mesma função sintática, por exemplo:
O presidente
visitou Roma e Paris.
Neste
caso, temos a coordenação de dois substantivos próprios “Roma” e “Paris”. Note
que são duas cidades. Portanto, está errado escrever:
O
presidente visitou Roma e o papa.
Na
reescrita da frase, coordenamos dois termos que não são idênticos, o que
caracteriza o erro de paralelismo. A saída nesse caso é desdobrar a frase ou
reescrevê-la. Exemplo:
O
presidente visitou Roma e se encontrou com o papa.
O
paralelismo também se dá com as orações. Exemplo:
O
presidente mandou que cortassem os juros e que reduzissem os gastos.
No
exemplo acima, temos a coordenação de duas orações subordinadas substantivas
objetivas diretas: 1. “que cortassem os juros”; 2. “que reduzissem os gastos”. Note
agora a seguinte alteração:
O
presidente mandou cortar os juros e que reduzissem os gastos.
Neste
caso, observe que, apesar de continuar ligando duas orações subordinadas substantivas
objetivas diretas, elas não são mais idênticas, pois a primeira é reduzida e a
segunda é desenvolvida. Portanto, é um erro de paralelismo.
Em
outras palavras, tentando simplificar, a dica é usar a mesma forma verbal nas
orações que você estiver unindo.
Desta
forma, ao analisarmos a seguinte notícia de jornal, vemos um erro de
paralelismo:
“(...)
o texto aprovado ontem na Comissão de Assuntos Econômicos, e que continua tramitando no Congresso, muda a relação
entre patrões e empregados.”
A
conjunção “e” deveria ligar dois termos ou orações idênticas. Contudo, ela está
ligando uma oração principal e uma oração subordinada adjetiva explicativa. A
solução é simples:
“(...)
o texto aprovado ontem na Comissão de Assuntos Econômicos, o qual continua tramitando no Congresso, muda a
relação entre patrões e empregados.”
Observação, segundo a amiga Aurora, "papa" deveria ser grafado em letra maiúscula. Esta regra existe, de fato. Contudo, baseei-me em outra para redigir este texto. A imagem a seguir foi retirada do "Manual de Redação e Estilo" do jornal "O Estado de S. Paulo".
Observação, segundo a amiga Aurora, "papa" deveria ser grafado em letra maiúscula. Esta regra existe, de fato. Contudo, baseei-me em outra para redigir este texto. A imagem a seguir foi retirada do "Manual de Redação e Estilo" do jornal "O Estado de S. Paulo".
terça-feira, 28 de março de 2017
CONCURSO PÚBLICO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LONDRINA
No concurso público da Câmara Municipal de Londrina para o cargo de revisor, dentre os 393 inscritos, fiquei em 3º lugar com 82,5
pontos. Edital nº 01/2016, resultado no dia 28/03/2017. Se não fosse pela prova de título, eu ficaria em segundo lugar.
domingo, 4 de setembro de 2016
Tradução de "velvet"
Você sabe o que é veludo?
Uma das alegrias de ser tradutor é quando nos deparamos com
um termo que desconhecemos e, após várias pesquisas, encontramos a resposta. É
verdade que, às vezes, a tradução fica empacada por causa de uma única
palavrinha. E é nesse momento que o tradutor recorre a todas as fontes
possíveis de pesquisa. A palavra que me deu certa dor de cabeça ontem foi “velvet”.
Contudo, ela não se referia ao tecido, e sim à pele que cobre a galhada de
cervos e veados. E a minha surpresa foi descobrir que a tradução é veludo
mesmo.
Velvet = veludo
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