"Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca" é o meu mais novo livro no qual retrato um pouco da minha vivência durante a quarentena, sob um olhar diferente. A obra inicia-se com uma paródia da "Carta de Pero Vaz de Caminha" e, em seguida, mostra como os tupinambás também tiveram que fazer quarentena na época da “descoberta dos portugueses”, como eles gostam de falar. Baixe aqui.
quarta-feira, 10 de junho de 2020
"Quarenta dias e quarenta noites presos na maloca"
sábado, 14 de setembro de 2019
Prefácio do livro "A próxima Colombina"
Prefácio à segunda edição
Ramon é um repórter muito competente que conhece as
exigências de sua profissão. Ele sabe que precisa gastar a sola do sapato e
frequentar as ruas, as delegacias e os hospitais, dentre outros lugares, para
conhecer os moradores e suas histórias. É assim que, desde os dezesseis anos, como
um verdadeiro detetive, ele colhe o material necessário para fazer a cobertura
dos principais fatos do interior paulista. Mas, se alguém acha que aqui no
interior reina a tranquilidade, e a violência está presente apenas nas capitais
ou em um estado específico, engana-se. Há mais coisas entre o céu e as ruas do
interior do que podemos sonhar. A selvageria recrudesceu e tem mostrado suas
diversas facetas por aqui há muito tempo.
Uma das coberturas marcantes para o autor foi, sem
dúvida, a da rebelião na Fundação Casa de Marília em 2016. Um agente foi
assassinado no dia em que completava cinquenta e um anos, e dezoito internos
fugiram. Difícil não se comover com tal notícia triste e inominável. Contudo,
Ramon provou seu profissionalismo, escrevendo a matéria para a Folha de São Paulo.
Outra cobertura anterior talvez até mais marcante e
assustadora para o autor, pois o inspirou na concepção desta obra, ocorreu
quando ele havia acabado de se mudar para Marília. De janeiro a outubro de
1999, cinquenta veículos foram incendiados em sua nova cidade. Sete em apenas
uma noite. O autor dos crimes, um vigia noturno, foi preso quando — num momento
de solidão ou de busca pela fama — fez uma ligação para a polícia, anunciando o
próximo ataque. Depois de sua prisão, fichários com nomes dos clientes do vigia
e dois frascos com álcool foram encontrados, e o incendiário, como ficou
conhecido, confessou o ataque a trinta e nove veículos. Ele foi condenado a
quatro anos de prisão em regime fechado e a catorze meses de detenção em regime
semiaberto.
Sem dúvida, com tanta experiência, podemos afirmar que
Ramon conhece como ninguém as vicissitudes das cidades interioranas. E foi
diante dessa realidade que A Próxima
Colombina nasceu. O autor objetivou retratar o tradicional carnaval,
outrora muito famoso aqui no interior, e pôr em foco a violência urbana, sobretudo
contra as mulheres. Trata-se de um tema atualíssimo que colabora enormemente
com a verossimilhança desta trama, ou seja, é uma ficção que poderia muito bem
ter acontecido.
Em uma entrevista que fiz com o Ramon, perguntei o que
o leitor pode encontrar no seu livro. E ele me respondeu:
“Acredito que um enredo empolgante, uma trama que dá
aquele friozinho na barriga a cada página. Digo isso porque foi exatamente
assim que escrevi este livro, transmitindo suspense a cada parágrafo. Como lhe
contei, quando escrevi este livro ainda não tinha filhos e me sobrava tempo nos
finais de semana e nas madrugadas. Por diversas vezes, minha esposa me
assustava, não porque ela queria, é que eu estava tão envolvido em criar uma atmosfera
de medo, de perseguição e até de violência que não me dava conta de que a Ieda
[sua esposa] estava em pé ao meu lado me chamando para ir dormir.”
Este romance policial começa com um homem fantasiado
de pierrô seduzindo uma foliona durante o carnaval. O que parecia ser apenas
mais um caso amoroso se transforma em uma perseguição mortal. Em seguida, mais
três mulheres também sofrem nas mãos do assassino mascarado. Fica evidente o
descaso da polícia, que, por falta de recursos e boa vontade, só vai reagir
muito tempo depois. É nesse momento que entra em cena o delegado Lúcio, um
herói extremamente humano, cheio de medos e sofrimentos psicológicos por causa
do trabalho. Ele tinha a pena de cobrir todos os casos policiais por ter
enfrentado um delegado corrupto.
As personagens são bem arquitetadas, e, assim como no
mundo real, ninguém é totalmente mau nem totalmente bom. A escolha de seus
nomes também não é aleatória. Ramon, de fato, teve cuidado com cada pormenor.
Por exemplo, Lúcio lembra o substantivo lucidez e o verbo elucidar, afinal é
ele quem vai elucidar o caso.
O enredo também homenageia a literatura portuguesa e
universal com inúmeros intertextos, instando o leitor a querer conhecer outros
livros e a saciar sua vontade por mais aventuras.
Eu pude trabalhar esta obra por dois anos consecutivos
com o 8º Ano do Colégio Alpha de Quatá. E o resultado não poderia ser melhor.
Meu maior objetivo como professor de língua portuguesa do ensino fundamental é
despertar o prazer pela leitura nos meus alunos. E este livro provou ser uma
ótima ferramenta. A aceitação foi muito boa. Cansei de ouvir os alunos dizendo
que leram muito rápido — em um dia até! — porque ficaram entretidos com o
enredo e precisavam saber o que ia acontecer em seguida. Prova de que eles
foram enfeitiçados pelo maravilhoso mundo da literatura.
Agora, muito merecidamente, A Próxima Colombina ganha a segunda edição. E torcemos para que
esta obra continue seguindo sua missão de entreter e encantar os leitores,
fazendo-os refletir sobre nossa realidade.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
O ano de 2018 foi muito produtivo, não só porque meu segundo filhão, Theo, nasceu, mas também porque tive o prazer de pegar bons projetos. E tive tempo até para fazer um curso muito enriquecedor na área editorial com a grande Silvana Salerno. Sem dúvida nenhuma, recomendo o curso.
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Correlação verbal
Ao elaborar
um texto (escrito ou oral), existem algumas combinações verbais que devem ser
respeitadas. É o caso das orações
subordinadas adverbais condicionais somadas à oração principal. Exemplo:
Se
chover, não sairei.
Nesse
caso, a frase indica uma condição futura. Não é certo que eu sairei, depende se
choverá ou não. Agora, eu posso reescrever essa frase da seguinte maneira:
Se
chovesse, eu não sairia.
A
ideia de condição futura ainda existe, mas a probabilidade de que chova e eu
não saia é mais baixa. Observemos que essa alteração de sentido se deu por
causa da mudança verbal.
No
primeiro caso, temos a seguinte estrutura:
Oração
condicional
|
Oração
principal
|
Se chover,
|
não sairei.
|
Futuro do subjuntivo
|
Futuro do presente
|
No segundo
caso, temos:
Oração
condicional
|
Oração
principal
|
Se chovesse,
|
eu não sairia.
|
Imperfeito do subjuntivo
|
Futuro do pretérito
|
Contudo, não é possível fazer uma combinação mista entre esses dois tipos de orações
condicionais. Por exemplo:
Se
chover, eu não sairia.
O
motivo é porque existe internamente na frase uma incoerência quanto à possibilidade
de chover e eu sair. Portanto, corrigindo a frase da notícia:
Se isso ocorrer, os pagamentos poderão ser iniciados antes do Natal.
A
notícia citada acima contém mais um erro, você sabe qual é? Veja aqui.
A expectativa é de que
As
duas imagens abaixo foram tiradas da mesma página do jornal de hoje,
comprovando que a estrutura “a expectativa é de que” é muito comum. Contudo, por
mais comum que seja, não é correta por causa da preposição “de”.
A
explicação é simples. A estrutura não exige a preposição “de” porque se trata
de uma oração subordinada substantiva predicativa somada à oração principal. Ou
seja, a oração iniciada pela conjunção integrante “que” tem valor de
predicativo do sujeito, e o predicativo não vem acompanhado de preposição. De maneira mais
simples, podemos esquematizar a estrutura assim:
sujeito
+ verbo de ligação + predicativo do sujeito
Assim,
temos, por exemplo:
sujeito
|
verbo
de ligação
|
predicativo
do sujeito
|
A expectativa
|
é
|
boa.
|
Observemos
que o predicativo “boa” não vem acompanhado de preposição. Logo, o correto é:
sujeito
|
verbo
de ligação
|
predicativo
do sujeito
|
A expectativa
|
é
|
que o acordo seja fechado até o fim
deste mês.
|
Por
fim, vale lembrar que existe outra estrutura que exige a preposição. Deve ser provavelmente por causa dela que fazemos a confusão. É o caso da oração subordinada
substantiva completiva nominal que, como o próprio nome diz, tem a função de
complemento nominal e é sempre ligada a um nome pela preposição. Exemplo:
Tenho
a expectativa de que o acordo seja
fechado.
Observemos
que a estrutura da frase é diferente:
sujeito
+ verbo + nome + complemento nominal
A
notícia citada acima contém mais um erro, você sabe qual é? Veja aqui.
domingo, 3 de setembro de 2017
Frei ou frade?
O
erro encontrado no título da notícia é quanto ao emprego de “frei”. Mas “frei”
e “frade” não são sinônimos? São. Na verdade, “frei” é a forma reduzida de “frade/freire”
e deve ser usada acompanhada do nome do frade, como podemos ver no dicionário Aulete.
Portanto,
se não houver o nome do religioso à frente, devemos usar “frade”.
Corrigindo:
“Frades brasileiros oferecem pão no
lugar da ‘argila’”.
quinta-feira, 8 de junho de 2017
Erro de paralelismo
Paralelismo
é uma convenção estabelecida na linguagem escrita que “consiste em apresentar
ideias similares numa forma gramatical idêntica” (MORENO e GUEDES, Curso básico de redação, 1988). Em
outras palavras, ocorre paralelismo quando coordenamos termos ou orações
idênticas, isto é, que têm a mesma função sintática, por exemplo:
O presidente
visitou Roma e Paris.
Neste
caso, temos a coordenação de dois substantivos próprios “Roma” e “Paris”. Note
que são duas cidades. Portanto, está errado escrever:
O
presidente visitou Roma e o papa.
Na
reescrita da frase, coordenamos dois termos que não são idênticos, o que
caracteriza o erro de paralelismo. A saída nesse caso é desdobrar a frase ou
reescrevê-la. Exemplo:
O
presidente visitou Roma e se encontrou com o papa.
O
paralelismo também se dá com as orações. Exemplo:
O
presidente mandou que cortassem os juros e que reduzissem os gastos.
No
exemplo acima, temos a coordenação de duas orações subordinadas substantivas
objetivas diretas: 1. “que cortassem os juros”; 2. “que reduzissem os gastos”. Note
agora a seguinte alteração:
O
presidente mandou cortar os juros e que reduzissem os gastos.
Neste
caso, observe que, apesar de continuar ligando duas orações subordinadas substantivas
objetivas diretas, elas não são mais idênticas, pois a primeira é reduzida e a
segunda é desenvolvida. Portanto, é um erro de paralelismo.
Em
outras palavras, tentando simplificar, a dica é usar a mesma forma verbal nas
orações que você estiver unindo.
Desta
forma, ao analisarmos a seguinte notícia de jornal, vemos um erro de
paralelismo:
“(...)
o texto aprovado ontem na Comissão de Assuntos Econômicos, e que continua tramitando no Congresso, muda a relação
entre patrões e empregados.”
A
conjunção “e” deveria ligar dois termos ou orações idênticas. Contudo, ela está
ligando uma oração principal e uma oração subordinada adjetiva explicativa. A
solução é simples:
“(...)
o texto aprovado ontem na Comissão de Assuntos Econômicos, o qual continua tramitando no Congresso, muda a
relação entre patrões e empregados.”
Observação, segundo a amiga Aurora, "papa" deveria ser grafado em letra maiúscula. Esta regra existe, de fato. Contudo, baseei-me em outra para redigir este texto. A imagem a seguir foi retirada do "Manual de Redação e Estilo" do jornal "O Estado de S. Paulo".
Observação, segundo a amiga Aurora, "papa" deveria ser grafado em letra maiúscula. Esta regra existe, de fato. Contudo, baseei-me em outra para redigir este texto. A imagem a seguir foi retirada do "Manual de Redação e Estilo" do jornal "O Estado de S. Paulo".
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